Kari Vieira

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Rio de Janeiro , RJ, Brazil
Ôdekasa, é uma mania regional das pessoas baterem à porta das casas para pedirem informações... São peculiaridades dos "mineiros",das pessoas do interior, das pessoas simples e bem chegadas... O meu Ôdekasa é isso! Chegue mais, com um sorriso no rosto, a paz do interior, o jeito humilde e prestativo de lhe servir uma caneca de café, uma broa de milho, ouvir histórias, músicas, andar com pés no chão, e com uma ternura no olhar sempre! Toc Toc Toc... ÔdeKasa ! Sejam sempre bem vindos!

12 de março de 2012

Sobre a Fé

Ana Jácomo

Minha vó Edith era minha confidente desde os tempos de criança. Pra ela eu contava qualquer tipo de coisa com o coração todo aberto, porque eu sentia de forma muito clara a facilidade e o acolhimento com que me ouvia. Um bom confidente, às vezes, é apenas aquele que nos deixa livres para dizermos tudo o que quisermos sobre nós, inclusive bobagens das quais talvez nos arrependamos logo depois de dizê-las. Às vezes, é apenas aquele que interage com o nosso sentimento da vez, sem estar com a razão toda arrumada para análises profundas, tiradas magníficas, sermões eloqüentes, dos quais nem sempre precisamos. Um bom confidente, essa maravilha rara, é aquele que aproxima, generosamente, a vida dele da vida da gente e, apesar da mágica interação que acontece com essa proximidade, consegue manter a distância necessária para não confundir a sua história com a nossa. Há momentos em que a gente só precisa falar e se sentir, de verdade, ouvido. Só isso. Só isso tudo.


Pra vó Edith, lá na infância, eu contava os meus pequenos segredos infantis, que eram imensos para mim. As tímidas artes que eu aprontava, sem que ninguém desconfiasse, na maioria das vezes. A real intensidade da esperança de realizar as metas mais inocentes, como ganhar uma bicicleta Caloi no Natal, após exaustivas campanhas domésticas. O tamanho todo de certos medos que eu tinha, mas que mostrava, quando os mostrava, bem mais diminuídos. As primeiras dores que me apertavam, num tempo em que eu ainda nem sabia direito o que era dor e o que era aperto. Depois, já adolescente, eu lhe contava sobre cada novo projeto, logo assim que eram colhidos, fresquinhos, do pé de sonhos de folhas muito verdes que eu cultivava no meu coração. Contava, entusiasmada, sobre as possibilidades que faziam a minha vida inteirinha sorrir. Contava sobre os flertes, o clima dos encontros, os diálogos que aconteciam e aqueles que eu imaginava de forma tão apaixonada que até me pareciam de verdade.


Ela ouvia e eu saboreava a oportunidade daqueles instantes com o mesmo contentamento que sinto até hoje diante da certeza de cada bom e raro confidente que a vida me traz. Ela ouvia com muito ouvido, os olhos sorrindo por estar ali comigo, e, geralmente, com poucas palavras. Do que dizia, nas circunstâncias de cada novidade que eu lhe contava, a minha ansiedade por querer saber se a semente do meu sonho conseguiria florir ou não, ficou uma frase bastante freqüente. Uma frase que, depois de tantos anos, ainda ouço, muito nítida, toda vez que meu coração bate mais forte por algum encanto: “Peça a Deus para que aconteça o que for melhor para você, porque Deus sempre sabe o que é melhor para nós; a gente, não.”


Não dizia para ela, mas eu ficava meio cabreira com aquela história, morria de medo de pedir aquilo. E se o que Deus sabia que era o melhor para mim não tivesse nada a ver com o que eu queria acreditar que era, no afã do meu desejo? E se o melhor que pudesse acontecer fosse simplesmente não acontecer o que eu esperava? Às vezes, queremos tanto o que queremos que não passa pela nossa cabeça que talvez isso possa não ser tão bacana para a nossa vida como a força do sonho faz parecer. Queremos somente o nosso desejo atendido e ponto, sem delongas. Não dizia para ela, mas geralmente eu achava mais tranqüilo não pedir, não. Quando pedia, era mais ou menos assim: “Deus, que aconteça o que sabe que é melhor para mim, mas, olha só, você sabe que isso que eu quero é maravilhoso demais, não sabe? Se não está convencido, peraí um pouquinho que eu explico e você vai me dar razão.”


Olhando para trás, porque às vezes só bem mais a frente conseguimos entender certas coisas do passado, eu percebo que, em vários momentos, ainda que eu não pedisse, parece ter acontecido o que Deus sabia que era melhor para mim e não o que eu imaginava, superficialmente, saber. Percebo que em algumas circunstâncias em que cheguei a lamentar pelo insucesso de planos que eu considerava os melhores do mundo, eu estava, na verdade, sendo poupada de encrencas das grandes. Hoje, eu entendo que quando a minha vó dizia aquilo ela estava apenas sugerindo, com outras palavras, que eu tivesse fé. Essa entrega diante do desconhecido. Essa possibilidade de soltarmos o suposto controle que acreditamos ter. Esse sentimento de que fazemos parte de uma inteligência que tudo toca, ama e organiza. Essa humildade para reconhecermos que na esfera da nossa mente mais grosseira nós sabemos muito pouco, quase nada. Essa confiança de que acontecerá realmente o que for melhor para nós, ainda que no tempo de cada acontecimento, tantas vezes cegos pelos nossos desejos, não possamos entender o que somente a nossa alma sabe.


Deus e a nossa alma vivem em contínuo diálogo desde os tempos mais remotos. São confidentes um do outro. Sabem segredos preciosos que não nos contam enquanto não nos for possível entendê-los. Vêem cada fato sob uma perspectiva pela qual muitas vezes ainda não sabemos enxergar. Conhecem o jeito como as peças se encaixam, enquanto nos desgastamos tentando encaixá-las de qualquer maneira, com sofreguidão, para atender aos nossos interesses imediatos, mesmo que, restritos pela urgência dos seus apelos, não tenhamos visão do panorama real.


A fé é um exercício pra vida inteira. Muitas e muitas vezes, eu me distancio incrivelmente dela, achando que posso resolver tudo sozinha. Não é raro nessas ocasiões, na verdade é bastante comum, eu me atrapalhar toda num turbilhão de emoções que me drenam a energia e o sorriso. Mas, toda vez que consigo acessá-la, de novo, tudo se modifica e se amplia na minha paisagem interna. Na fé, eu sou capaz de me dizer, com amorosa humildade, que grande parte das vezes eu não sei o que é melhor para mim. Eu não sei, mas Deus sabe. Eu não sei, mas minha alma sabe. Então, faço o que me cabe e entrego, mesmo quando, por força do hábito, eu ainda dê uma piscadinha pra Deus e lhe diga: “Tomara que as nossas vontades coincidam”. Faço o que me cabe e confio que aquilo que acontecer, seja lá o que for, com certeza será o melhor, mesmo que algumas vezes, de cara, eu não consiga entender.

29 de fevereiro de 2012

Happy birthday Kari !

Meus 39 chegando!!


Eu não sou mais feliz que ninguém, apenas parei de supervalorizar o sofrimento e banalizar os meus momentos de bem-estar. Estar são e salvo exige esforço, mudanças constantes e reformulações internas...e a certeza de nunca se ter garantia de nada.
Vejo a vida como uma pessoa que um dia está bem, no outro nem tanto, e em algum desses dias até furiosa. E eu a respeito assim, e ela também não deixa de seguir seu fluxo por causa do meu estado de espírito.
Não sou uma explosão de entusiasmo o tempo todo, apenas tenho uma profunda predisposição para estar no lugar mais confortável para o meu coração. E isto, às vezes, implica em não satisfazer um desejo, porque nem sempre o que desejamos é o melhor para nós.Mas isto implica também em encontrar diversão dentro da minha própria imaginação: imaginar uma coisa tão engraçada que me faça gargalhar sozinha.E usar a minha criatividade para fazer a minha careta mais feia...Ou dar o salto mais alto, ou passar a maquiagem mais over, ou usar o chapéu mais colorido, ou rolar na areia, ou posar para que uma criança me fotografe, ou tantas outras coisas...E se a vontade é de chorar, é tão bonito quando brota para limpar, desopilar e respeitar uma dor.É uma forma de expurgar e produzir um processo de cura.Eu participo do Planeta, isto faz de mim passível a todo e qualquer acontecimento ou sensação, mas não me causa medo, porque fiz as pazes com o Mundo há muito tempo.
Eu não sou mais feliz que ninguém, mais eu sei que a felicidade adora se aconchegar em mim. Por isto: ACEITO E AGRADEÇO SEMPRE: a primeira coisa que faço ao acordar e a última antes de dormir.



Vamos a vida! Ela está ai pra ser vivida !


Beijos!!

31 de janeiro de 2012

Sobre o Abraço - Ana Jácomo.




Ana Jácomo

O pai pega a menina no colo e os dois se abraçam. Observo, sentada próxima à mesa onde estão. Coisa bem bolada essa dos braços se encaixarem. Uma possibilidade tão perfeita que parece que já foram imaginados também com esse propósito. Mas o melhor do abraço não é a idéia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante.

A menina e o pai se abraçam. Nenhum dos dois percebe que o meu olhar filma a cena. É bom sinal que não percebam, porque no abraço bem fruído as duas vidas se ocupam de contemplar somente a paisagem que compartilham. Os olhos se tornam surdos para qualquer registro que esteja fora do ambiente construído. Talvez seja por isso que costumamos fechar os olhos quando abraçamos: para abri-los para dentro. Quando inclui o sentimento, o abraço é um portal que dá acesso às regiões mais arborizadas do coração da gente. Lá onde cantam passarinhos. Lá onde voam borboletas. Lá onde se respira grande sem ter a alma contraída. Lá onde experimentamos o amor ensolarado, por mais nuvens encharcadas de medo que também existam em nós.

A menina abraça o pai e repousa o rosto em seu ombro. Eu reparo a delicadeza com que ela o faz. Nada nela parece desejar retê-lo. Nada nela parece querer que aquele encontro dure mais do que o tempo que puder durar. Ela parece saber que o abraço não precisa ser demorado para ser longo. Se plenamente sentido, o seu efeito é duradouro. A energia que produz é capaz de circular por tempo indefinido nas vidas que o experimentam. E, depois, pode ser acionada a qualquer momento no lugar da memória onde são guardadas as belezas que não perdem o frescor.

A menina adormece abraçada ao pai. Ele se movimenta vagarosamente de um lado para o outro, sob o ritmo de uma música que somente ele ouve e que ela deve sentir em algum lugar do seu sonho. Ainda atenta ao espetáculo amoroso que assisto sem que ninguém perceba, curto a felicidade de não ter o coração curtido. De poder me aquietar para ouvir aquele poema escrito pelos gestos. Nem todos os abraços se transformam em sono e isso é tão verdadeiro quanto a constatação de que todos os genuínos oferecem repouso. Armam redes na alma da gente, onde as emoções se deitam e balançam aconchegadas. Não há lugar algum para onde ir enquanto acontecem. Apenas ficar ali, dentro deles, e dividir esse conforto.

Adormecida no abraço do pai, a menina o envolve com seus braços, dois pequenos laços de fita morenos. O abraço é também isso: um presente que duas vidas oferecem uma a outra e desembrulham juntas. Pago a conta e saio do restaurante. Tarde bonita, um bocado de sol ainda pousado na tranqüilidade da Lagoa. Sigo em direção ao meu destino com o coração enternecido, sintonizada com a suavidade das lembranças afetivas que aquela cena trouxe à tona. E grata, muito grata, por num tempo de tantas feiúras, ainda ser capaz de admirar a beleza preciosa de um abraço de amor.

8 de janeiro de 2012

Eu não tenho muitas respostas.
O que tenho é fé.
E uma vontade bonita, toda minha, de crescer.


Ana Jácomo

2 de dezembro de 2011

Feliz 2012 ...


Queridas pessoas,
Desejo para cada uma de vocês um ano de 2012 abençoado, bonito, luminoso, perfumado, feito de muita saúde no corpo e na alma... 

Por Ana Jácomo, um texto que encheu meu coração de esperanças para o novo ano que em breve estaremos atravessando. Um bálsamo para minha alma! Espero realmente que vocês gostem...
Alimentar o coração de muita compaixão, amor, felicidades, perdão não só para o ano próximo, mas para todo o sempre! Amém!



No ano novo, bem mais do que nos outros, quero alimentar o meu coração com mais daquilo que eu sei que ele gosta e é capaz de nutri-lo. Quero escolher com todo amor os ingredientes de cada refeição. Cozinhar mais vezes para ele. Usar os temperos que mais aprecia. Dedicar um tempo maior para preparar a mesa. E, depois de servi-lo, desfrutar a delícia de vê-lo saborear o que preparei. Curtir o conforto de me saber responsável pelo seu contentamento. Aquele gostinho bom do “fui eu que fiz pra você”.

No ano novo, bem mais do que nos outros, quero ter mais gentileza com os meus sentimentos. Com todos eles, sem exceção. Quero ter mais habilidade para ouvir o que têm pra me contar, sem tentar abafar a voz daqueles que podem me trazer desconforto. Quero deixar que se expressem, exatamente com a cara que têm. Que me façam surpresas. Que me apontem as mudanças que já aconteceram e me falem sobre aquelas que pedem para acontecer. Quero que me mostrem as regiões ainda feridas em mim que precisam de olhar, de cura ou de perdão. Não quero sentimento acuado, amordaçado, varrido pra debaixo do tapete. Quero ser a melhor confidente de cada um. 

No ano novo, bem mais do que nos outros, quero ter mais cuidado com os sentimentos alheios. Mais compaixão. Mais empatia. Mais tolerância. Suspender o julgamento. Trocar a crítica pelo respeito. Parar de achar que eu faria diferente, que eu diria diferente, quando não é a minha vida que está na berlinda. Quero lembrar mais vezes o quanto nos exige cada superação, cada avanço, cada conquista, cada descoberta das chaves capazes de abrir os cárceres que inventamos para nós. Quero lembrar mais vezes do quanto eu falho, mesmo quando quero acertar. Do quanto eu ainda me atrapalho comigo. Do quanto preciso ser generosa com a minha trajetória a cada novo projeto anunciado pela minha alma. A cada nova tentativa. A cada novo tropeço.

No ano novo, quero me encantar mais vezes. Admirar mais vezes. Compartilhar mais amor. Dançar com a vida com mais leveza, sem medo de pisarmos nos pés uma da outra. Quero fazer o meu coração arrepiar mais freqüentemente de ternura diante de cada beleza revista ou inaugurada. Quero sair por aí de mãos dadas com a criança que me habita, sem tanta pressa. Brincar com ela mais amiúde. Fazer arte. Aprender com Deus a desenhar coisas bonitas no mundo. Colorir a minha vida com os tons mais contentes da minha caixa de lápis de cor. Devolver um brilho maior aos olhos, aos dias, aos sonhos, mesmo àqueles muito antigos, que, apesar do tempo, souberam conservar o seu viço. Quero sintonizar a minha freqüência com a música da delicadeza. Do entusiasmo. Da fé. Da generosidade. Das trocas afetivas. Das alegrias que começam a florir dentro da gente.

No ano novo, bem mais do que nos outros, quero ter atenção com relação ao que sinto, ao que vejo, ao que propago. Mais cuidado para não me intoxicar com os apelos do medo e do pessimismo, tão divulgados nesses nossos tempos. Usufruir mais a sábia isenção que nos permite continuar a ver o melhor para a nossa vida e para a vida de todos os seres, apesar de. Não me importa se eu olhar na contramão: quero ter a coragem de sustentar a minha crença de que o amor, a paz, a luz, hão de prevalecer na Terra, e, enquanto isso não acontecer, quero dirigir também a minha energia ao propósito de que prevaleçam em mim.

No ano novo, bem mais do que nos outros, eu quero me sentir feliz. Uma felicidade que não está condicionada à realização das coisas que, particularmente, anseio para mim. Para a minha história nesse mundo. Para essa personagem que eu visto. Quero, antes de qualquer outra razão, me sentir feliz por encontrar descanso e contentamento no meu coração. Por tocar com o sentimento a preciosidade da vida. Por saber que existem coisas para eu realizar enquanto estou por aqui. Por acreditar que a maior proposta da idéia humana é a felicidade. Não importa quantas nuvens eu possa ter que dissipar no ano que começa: gente, por natureza, é sol, e eu quero viver esse lume.

Um feliz 2012! 
Kari

Elegância

                                                                                                  Foto: Kari Vieira
Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara: a elegância do comportamento.
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto.
É uma elegância desobrigada.
É possível detecta-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam, nas que escutam mais do que falam. E quando falam, passam longe da fofoca, das pequenas maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detecta-la nas pessoas que não usam um tom superior de voz ao se dirigir a frentistas, nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detecta-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
Oferecer flores é sempre elegante.
É elegante você fazer algo por alguém e este alguém jamais saber disso...
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante o silêncio, diante de uma rejeição.
Sobrenome, jóias e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo.
É elegante a gentileza...
Atitudes gentis, falam mais que mil imagens.
Abrir a porta para alguém... é muito elegante.
Dar o lugar para alguém sentar... é muito elegante.
Sorrir sempre é muito elegante e faz um bem danado para a alma...
Olhar nos olhos ao conversar é essencialmente elegante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza pela observação,
Mas tentar imita-la é improdutiva.
A saída é desenvolver a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que “com amigo não tem que ter estas frescuras”.
Educação enferruja por falta de uso.
E, detalhe: não é frescura.



Martha Medeiros

29 de novembro de 2011

Na Berlinda, o Coração.




Há momentos em que tudo que a gente precisa é dar colo para o próprio coração. Aconchegá-lo. Deixar que perceba que naquele instante todas as outras coisas podem nos esperar um pouco; ele, não. Ele é o nosso rei e o nosso reino. O papel para desenho e a caixa de lápis de cor. A música e a orquestra. Nossa bússola e nosso mar.A flor, o pólem, a borboleta, ao mesmo tempo. A colméia e o mel. O centro onde tudo principia e para o qual tudo converge. Ele não pode esperar.
O coração da gente gosta de atenção. De cuidados cotidianos. De mimos repentinos. De ser alimentados com iguarias finas, como a beleza, o riso e o afeto. Gosta quando espalhamos os seus brinquedos no chão e sentamos com ele para brincar. E há momentos em que tudo o que ele precisa é que preparemos banhos de imersão na quietude para lavarmos, uma a uma, as partes que lhe doem, e que o levemos para revisitar, na memória, instantes ensolarados de amor capazes de ajudá-lo a mudar a  frequência do sentimento. Há momentos em que tudo que precisa é que reservemos algum tempo a sós com ele para desapertá-lo com toda delicadeza possível.
Ana Jácomo.

3 de novembro de 2011

Nasci pra poucos e morro por quase ninguém '




Sorrir com os olhos, falar pelos cotovelos, meter os pés pelas mãos.

Em mim, a anatomia não faz o menor sentido. Sou do tipo que lê um toque, que observa 


com o coração e caminha com os pés da imaginação. Multiplico meus cinco sentidos por 


milhares e me proponho a descobrir todos os dias novas formas de sentir. Quero o cheiro da 


felicidade, o gosto 


da saudade, o olhar do novo, a voz da razão e o toque da ternura. Luto contra o óbvio, 


porque sei que dentro de mim há um infinito de possibilidades e embora sentimentos ruins 


também transitem por aqui, sei que devo conduzi-los com a força do pensamento até a porta 


de saída. 


Decidi não delegar função para cada coisa que eu quero. Nem definir o lugar adequado 

para 


udo de bom que eu sinto. Nossos sentimentos são seres vivos e decidem sem nos consultar. A 


prova de que na vida, rótulos são dispensáveis e sentimentos inclassificáveis.








02-11-2011




Kari

18 de outubro de 2011

O meu click particular...pelas lentes do meu Nókia

 Cada céu azuuullll....O sol esteve presente na nossa viajem todo o tempo...
             Foram dias maravilhosos com muito sol....muitas risadas, sertões, praias, sal e música...
                  'Encantamento. É essa a sensação.Sem dúvida uma viagem inesquecível."






                                                                 o céu do Sertão - RN
                                              Sempre na janela vendo tudo lá fora...sonhando.

                                       pelas estradas do Rio Grande Norte, Ceará e Paraíba....

                                             Eu e minhas janelas....sempre viajo...
                                            Eu e meus livros...meu parceiro nas horas vagas...
                                                                Por do Sol em Macau...
                                                     Praia de Camapum em Macau - RN
                                                                  Praia Camapum
                                          Yochabelle, Laís  e Vitória - Meninas Macauenses 
                       Curtindo um som na viagem... eu , meu fone e tablet, com músicas  maravilhosas.
                                               Ahh Cajús, tinha de montão...eu amei!


 


                                                       Ceará - Praia de Barreiras


Pelos sertões e interiores da Paraíba


tablet muito amigo nestas muitas horas de viagens...


                                                    Monareta, quem não teve uma? rs

Salineiras por Macau

    
                                  No Ceará...
Fui muito feliz nesta foto..

           Lagostas para comemorar a turnê - com o Chef Silvério Pontes, diretas do mar para a mesa

                                                                 Artistas de João Pessoa


Olha a Produção aí...Obrigado Izídio!



A volta pra casa...



                Todas as fotos são de Karina Vieira, com filtros tiradas pelo celular Nókia

Espero que gostem das fotos! A Viagem foi um sucesso, e semana que vem estamos indo para o Rio Grande do Sul....
Quer ver mais fotos da viagem? Vou postar as do show pelas cidades....
www.zedavelhaesilveriopontes.blogspot.com/

Beijos meus..
Kari

A volta pra casa...




Amadas, voltei! E voltei toda trabalhada no drama e na crise existencial!
Voltar não é fácil. Não que eu desejasse não ter voltado, muito pelo contrário. Sonhava com minha cama, minha casa, minha gaveta arrumada, meu chuveiro, meus perfumes, minhas lavandas de borrifar na cama. Estava roxa de saudade daqui, esse "Odekasa" é mesmo um pedaço de mim, tantos recados fofos me desejando bom trabalho, boas praias,"curta tudo", isso é amor gente, é sério.
Mas chegar e retomar a vida é exatamente a consumação da frase: pegar o bonde andando e sentar na janelinha.
Minha geladeira faz eco, não tem nada das gulozeimas, e o pior vocês ainda não sabem. Minha secretária está de folga por uns 10 dias pois a filhinha operou, ( Saúde Clarinha!).  E vocês sabem o quanto isso interfere com meu hormônio da felicidade!
Por outro lado o trabalho bombou, as praias eram fantásticas, o céu mais lindo do mundo, 40° , muita farra, risadas.Foi fantástico! Recomendo sempre viajar em caravana com músicos!
Voltarei com posts e dicas sobre viagem, virei especialista!
Seguimos com a programação normal!!!!

Beijos , 
Kari

10 de setembro de 2011

Sentir-se amado - Por Martha Medeiros



Texto da jornalista e escritora gaúcha Martha Medeiros, colunista do O Globo, sobre o amor conjugal e a percepção de ser amado em uma relação. É uma observação contra os clichês das demonstrações “amorosas” e pelo crescimento do amor companheiro, honesto e inspirador, importante para contrapesar nossa cultura midiática cheia de visões preconcebidas e sentimentalismo. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro, diz Martha.

Segue o texto na íntegra.
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Sentir-se amado
Por Martha Medeiros
“O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.
Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. “Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho”.
Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. “Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato.”
Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo”.

Martha, obrigado por me fazer tão bem, por me sentir tão humana...
Beijos 
Kari