Kari Vieira

Minha foto
Rio de Janeiro , RJ, Brazil
Ôdekasa, é uma mania regional das pessoas baterem à porta das casas para pedirem informações... São peculiaridades dos "mineiros",das pessoas do interior, das pessoas simples e bem chegadas... O meu Ôdekasa é isso! Chegue mais, com um sorriso no rosto, a paz do interior, o jeito humilde e prestativo de lhe servir uma caneca de café, uma broa de milho, ouvir histórias, músicas, andar com pés no chão, e com uma ternura no olhar sempre! Toc Toc Toc... ÔdeKasa ! Sejam sempre bem vindos!

5 de novembro de 2014

Renascendo quantas vezes for necessário...





 Por MARTHA MEDEIROS, em 02/11/2014:
"Um dos meus textos mais conhecidos chama-se A morte devagar, que publiquei na véspera de Finados de 2000 e que logo ganhou o mundo com o título Morre Lentamente. No início foi equivocadamente atribuído a Pablo Neruda, por isso o espalhamento e seu sucesso. Passado tanto tempo, já me devolveram a autoria e hoje esse texto virou canção na França e entrou no roteiro de um filme italiano - sem falar nas traduções para o espanhol, que alguns desconfiados ainda acreditam ser seu idioma de origem.
Na época, aproveitando a proximidade do Dia dos Mortos, escrevi puxando as orelhas (não os pés) daqueles que morrem em vida: os que evitam o risco, a arte, a paixão, o mistério, as viagens, as perguntas – apenas atravessam os dias respirando.
Hoje, neste dia de Finados, 14 anos depois, reitero: não morra lentamente. Morra rápido, de uma vez só, sem delongas. Morra quantas vezes for necessário.
Quando fiz meu mapa astral, ouvi da astróloga: “Você tem dificuldade de lidar com ambivalências, gosta das coisas esclarecidas, para o bem ou para o mal”. E ela concluiu: “Morrer é algo que você faz bem, ficar em banho-maria, não”.
Sombrio? Soturno? Ao contrário. Entendi com clareza sobre o que ela falava. Morte é a antessala da luz. Não a morte definitiva, que encerra o assunto, mas as diversas mortes em vida, os vários falecimentos a que somos submetidos. É preciso morrer bem enquanto se vive.
Cada final de amor é uma pequena morte, por exemplo. Morre lentamente quem fica alimentando fantasias de retorno, planejando vinganças, cultivando lembranças com naftalina. Sei que dói, mas não deixe esse amor definhando na UTI, dê logo a extrema-unção, acabe com isso, morra rápido, morra de vez, para que possa renascer ligeiro também.
Finais de carreira, finais de amizade, finais de ciclo: mortes que acontecem aos 30, aos 40 anos, em qualquer idade. Dói, dói demais, não estou negando a dor, mas o que você prefere? As dúvidas, as ilusões, o apego? Prefere a sobrevida a uma vida nova? Confie na experiência de quem já se enterrou algumas vezes. Morra. Morra bem morrido, baby.
Final de juventude, final da faculdade, final de uma viagem de intercâmbio: vai ficar agindo como se tivesse 18 anos para sempre? Mate o garoto, renasça adulto.
A morte daqueles que amamos é trágica, mas nossa própria morte, não. Ela é uma contingência de nossa longa existência, e essa não é uma frase cínica, simplesmente é assim. Nossos sonhos morrem. Nosso passado morre. Nossas crenças, nossas fases. Fazer o quê? Morra bem. Morra com categoria. Com dignidade. O menos lentamente possível. Morra de morte bem arrematada, uma, duas, três mil vezes, morra em definitivo sempre que for exigido, para sobrar tempo.
Tempo pra vida em frente."





1 de novembro de 2014

Sim, feliz!

Estou desconfiada de que a gente cresce quando começa a aprender, com o sentimento, muito além da retórica, a não permitir que uma desilusão ou outra nos afaste de nós mesmos e nem dos nossos sonhos mais bonitos. Estou desconfiada de que a gente cresce quando é capaz de entender que estar vivo é perigoso, sim, é trabalhoso, sim, mas também é uma oportunidade rara e imperdível. 
Que há que se pagar o preço, se a ideia é ser feliz e inteiro (…)


Que todo mundo tenha… O verso mais bonito. A música que não se esquece. O par pra toda dança.

— Ana Jácomo. 


1 de setembro de 2014

Sábio tempo.





"Nossa impaciência, nossa pressa àvida pelo resultado das coisas do jeito que queremos, no tempo que queremos, geralmente altera o sábio fluxo do tempo da vida e o desdobramento costuma não ser lá muito agradável. Não é raro, nós o atribuímos à má sorte, ao carma, ao mau-olhado. Não é raro, culpamos Deus, os outros, os astros, os antepassados. Não é raro, é claro, nós ainda nos achamos cobertos de razão.

É fácil lidar com isso? Não é não. Nem um pouco. Esse é um dos capítulos mais difíceis do livro-texto e do caderno de exercícios: o aprendizado do respeito ao sábio tempo das coisas."

(Ana Jácomo)


Dedicado a Bia P.

30 de agosto de 2014

De volta, vivinha da silva !



De volta ao meu querido diário depois de quase dois anos sem escrever... Ah me sinto em casa! É quase setembro, lá fora faz frio, dia nublado daqueles que não combinam com o Rio. Pois é, estou aqui de novo na cidade onde a minha aventura começou desde os 19 anos... Estou sozinha no meu apartamento,  "eu quase posso tocar o silêncio, como diz Dinho Ouro Preto do Capital Inicial", ainda não sei dizer se é bom ou ruim morar sozinha (sei que é puxado $) ... eu sou feliz com casa cheia, música alta e festinhas, mas também sou espaçosa e gosto dos meus momentos de solidão, nostalgia, dos meus silêncios... 
Uma maravilha estar aqui novamente escrevendo REVIGORADA!  Já é quase primavera, e venho  florescer e escrever as coisas que me fala ao coração.. Nova pespectiva de vida, com muito trabalho, novas escolhas , novas ideias, olhares, depois de um período de luto, desapego, olhar interior e futuro (depois conto do futuro!)  

"Coração não é tão simples quanto pensa, nele cabe , o que não cabe na dispensa". Não estou podendo reclamar! Durmo e acordo com a consciência impagável de que fiz e faço o meu melhor para com tudo e todos. Diz minha amiga Marla de Queiroz : " Se acordar posso escolher uma roupa, posso também escolher o sentimento que vai vestir meu dia...Se no percurso posso errar o caminho, posso também escolher a paisagem, que vai vestir meus olhos. A mesma articulação que tenho para reclamar, tenho para agradecer, e se posso adornar com alegria, não é a tristeza que vou tecer. Que hoje e sempre , seja mais um belo dia ".  É isso ! Podemos escolher sim, como queremos tecer a nossa vida, e é isso que estou aprendendo depois de tantos 'solavancos'.  Gostaria de voltar com algo que abençoasse esse espaço onde tenho mais de 22 mil acessos, ( certo de que 5% é bisbilhotice! ) e por isso acredito que as pessoas que 'me seguem'  gostam do que leem por aqui, onde coloco as minhas meninices pra fora! 
Quero agradecer todos os amigos que estão juntos desde sempre! Obrigada pelo carinho!

 Estou de volta, inteira e com fome para escrever!

Sejam sempre bem vindos ao Ôdekasa! 
  


O abraço de Deus .
Não pode haver coisa melhor, pros filhos de Deus, do que desaguar na quietude dos seus abraços. Do que embriagar-se em seu amor de Deus, de pai, de amigo. Do que ouvi-lo sussurrar promessas, e dizer: aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus!
Os abraços de Deus são tão confortantes e protetores quanto os de uma mãe. É onde não se faz perguntas só obtém-se respostas, onde as lágrimas são nossas melhores tradutoras, é carregamento de forças, refúgio para a alma, é lugar de abrigo, de consolo, de descanso. Abraços que contrariam as incertezas da vida e nos dizem que podemos tudo. Lá dentro sentimos necessidade de desafiar o que ocasionalmente se levantou para nos impedir, nos ferir, nos frustrar.
Esses abraços acontecem geralmente quando fazemos contato, pedimos socorro, compartilhamos vitórias, nos despimos de nosso ser e nos tornamos crianças em sua presença. Quando um clamor desagua e a lágrima é o som do coração. Quando externamos nossa carência e total dependência, esvaziamos nossa essência e nos tornamos nada além de refugiados, abrigados de um abraço que nos faz sentir em casa.
Que lugar melhor pra se contar, se entregar, se chegar, se esconder, se achar? Dentro desse abraço Eterno e mortal trocam declarações, Grande e pequeno demonstram o que são, Deus e homem exercem suas funções. É onde o que se diz é voluntário e o que se sente é extraordinário.
Lugar ideal não só para quem se sente desprotegido, ameaçado,enganado, frustrado, ferido mas também para os que se sentem alegres, abençoados, renovados, limpos, salvos do perigo, filhos. Nesses momentos de amplexo agradeça-o pelos cuidados e desfrute de todo o contato.
(-Obrigado Deus, por todas as vezes que precisei de abrigo e tive a sombra das tuas asas, pela certeza de que estás por perto. Tens o mundo inteiro pra cuidar mas o teu olhar está sobre mim.)


1 de junho de 2013

Oba! Chegou Junho !

Tem forró, doces, zabumba e sanfona,
Tem Antônio, Pedro e João!
Meu Deus, dai nos muita música, fogueiras, quentão, força e resignação!



Bjs  Kari 

20 de maio de 2013

Sabedoria Infantil - Dicionários de crianças Colombianas, surpreendem adultos!

São definições cheia de poesia e sabedoria,

 apesar da pouca idade de seus autores. Ou talvez por isso mesmo...



Vão desde A de adulto ("Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro de si", segundo Andrés Felipe Bedoya, de 8 anos), até V de violência ("A parte ruim da paz", na definição de Sara Martínez, de 7 anos).



Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)
Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)
Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)
Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)
Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)
Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)
Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)
Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)
Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)
Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)
Guerra:Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)
Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)
Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)
Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)
Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)
Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)
Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)
Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)
Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)
Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)
Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)

Fonte: livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, de Javier Naranjo

5 de maio de 2013

Receita de vida... ( Principalmente para um bom relacionamento.)


Relacionamentos acontecem. Você não precisa força-los. Tampouco apressá-los. Pessoas ficam juntas porque querem, no momento em que decidem juntas. Querer já é muito e ajuda a eliminar algumas dúvidas. As dúvidas existem porque pensamos nelas. E tudo está sujeito ao engano. É incontrolável. Como evitar cair em relações de dependência? Seja responsável por você: pensamentos, sentimentos e atos. Parece banal, mas não é. Não tente impor ao outro sua responsabilidade com relação a você mesmo. Ele gosta de você, mas não é tão responsável por você assim. Você responde por você, ele responde por ele. Amor não se cobra. Atenção também não. Carinho muito menos. Tenha isso em mente. Não tenha a obrigação de corresponder às expectativas do outro em todos os momentos. Ele as criou. Não o obrigue a corresponder às suas expectativas em todos os momentos. Você as criou. A moeda da culpa é muito alta. Não se culpem à toa. Não usem chantagens baratas, usem as mais elaboradas, em momentos oportunos. Não somos animais de estimação: não tentem se domesticar. Não somos animais selvagens: não tentem se enjaular. Não estejam nem queiram estar presentes na vida um do outro o tempo todo. Ninguém nasce com duas sombras. E quando estiverem longe, não se liguem toda hora. Todo mundo pode esperar. Na vida é bom saber detectar o que é urgência de fato. O resto é controle. Não ligue antes de dormir para saber onde ele está com a desculpa “só liguei pra dar boa noite”. Você não é mãe dele e vocês não têm 12 anos. Só liguem quando quiser, ou precisar, e não porque ele quer que ligue. Não deixem que os monstros da comunicação instantânea assombrem. Um SMS não respondido imediatamente, uma ligação sem retorno, ficar um dia sem se falar: não foi nada! Vocês não precisam checar o celular um do outro, fuçar as redes sociais, ter acesso aos e-mails pessoais. Quem inventou essa loucura? Não se controlem a ponto de ficarem com preguiça de se ver. Não aceite ser a polícia, o juiz ou o algoz de que você gosta. Sejam, menos ainda, vítimas um do outro. Não façam planos vitalícios com ninguém. E não se culpem por isso. Conversem sobre tudo, mas não discutam todos os lados da relação sempre. Incentivem-se, mas não virem o senso de direção um do outro. Não faça surpresas demais, não agrade demais. Ele não é seu filho único. Repito, que se vocês estão juntos é porque querem estar. Isso já é tão belo. Tenha assuntos e amigos pessoais, ele não deve ser seu único assunto e interlocutor. É sempre bom ter o que fazer na vida. Trabalho e lazer. É recomendável ter muitas coisas para pensar, como ideias e viagens. Hoje você vai sair sem ele e tudo bem. Amanhã ele vai viajar sem você e tudo bem. Hoje você vai encher a cara com seus amigos. É sempre bom. Depois de amanhã vocês podem ir ao cinema juntos! Então saibam se divertir juntos. E saibam se divertir um sem o outro. Não se violentem. A tortura é uma técnica menor. Pode dormir na casa dela, mas lembrem-se: você não mora lá. Pegação não é flerte. Flerte não é paixão. Paixão não significa romance. Romance não é namoro. Namoro não é casamento. Casamento não é virar uma pessoa só. Duas bocas, oito membros, duas cabeças, dois corações, dois organismos que só se comunicam com o mundo usando verbos na primeira pessoa do plural. Isso é mutação. Briguem por motivos reais. Tenham ciúme por motivos reais. 90% dos casos os motivos não são reais. Você tem passado. Ele tem passado. Ciúme do passado é motivo irreal. Você tem seus segredos. Ele tem os segredos dele. Respeitem-se. Aprendam a ensinar que respeito não envolve hostilidade. Tudo isso não quer dizer que ele tem outra pessoa, que você se apaixonou por outra pessoa ou que vocês se gostam pouco. Tudo isso vai fazer vocês gostarem mais um do outro. Antes de você existir na vida dele ele já existia. Existir não é tarefa fácil. Tem que deixar a existência arejada, sempre, pra poder existir ao lado de alguém. Mais disposto e com mais vontade. Que bom que você chegou na vida dele. Mas ele não nasceu de novo. Tudo vai se adaptar ao novo cenário. Tenham paciência. É exercício. Tentem cortar as ilusões de domínio: não funcionam com territórios, não funciona com conhecimento, nunca vai funcionar com pessoas. Isso adia os finais trágicos das relações possessivas. E torna as relações mais inspiradoras. Essas duram mais. No pós-romance as pessoas não precisam explicar tanto. Elas estão juntas porque querem. Isso basta. Fim.Pedro Bial

28 de fevereiro de 2013

Na agenda dos anos 90


Nesta semana fui a caça dos meus melhores amigos ,a gente nunca pode deixar as coisas da vida separar quem realmente te conhece e te ama. Há uma razão do porque de nossa alma ter escolhido essas  pessoas, somos almas que andam juntas há muito tempo... 
Passei a mão no telefone, e disse: eu preciso estar com vocês nesta data importante pra mim! Vocês são os meus presentes! Não é uma delícia dizer a um grupo de amigos: Vocês são a minha caixa de presente com laços de fitas, coloridos! Ouvindo Lulu nesse momento ele diz aqui ao meu lado nas alturas: 'Eu não sei viver sem ter carinho, é a minha condição,  eu não sei viver triste , sozinho..." 
Mergulhada nesta semana em trabalho, shows, contratos, novo disco, agendando casas de show pelo Brasil,Salão,  por um acaso, reencontrei minha agenda de estudante da 8ª série!  Aquela da Company, que eu e minha geração toda tinha! Estava dentro de uma caixa de relicários que trouxe do Carnaval este ano....
Cometi o erro de abri-la. Não se mexe em arquivos impunemente! Não dá para passar os olhos e deixar por isso mesmo. E a caligrafia desgovernada e antiga!
O que me espantou é que havia uma cartinha presa com clipe : 

Cinco coisas que desejo fazer antes dos 40 anos...

(Em tempo, completo 40 anos daqui a 3 dias. Não duvido que não tenha programado meu corpo a procurar a agenda perto do aniversário. Foi um alarme posto na memória para soar num prazo de vinte cinco anos.) volto a chorar, mas é de emoção, muita emoção,as palavras brotam !!
Mas por que 40, e não 30? Sempre quis saber como seria  meus 40 anos! Nesta mesma agenda, tinha um escrito  que iria me casar com 20, pois sim: numa terça feira de 1993, fiz 20 e no sábado dia 06 de março me casaria linda, cheia de orquídeas naturais no cabelo, vestido da KRISHNA  , sapatos Tereza Gureg, tudo marfim...acabo de me lembrar dos olhos do meu pai cor de mel como os meus, incrivelmente brilhantes naquela tarde no Clube do Médicos às 18h, com o Pôr do Sol! Ah que saudades de você! Você teria um orgulho de mim danado, Carlinhos! Além dos 40 anos , seriam 20 de casada...
Meus 30 foram muito doloridos. Ficar viúva aos 28 , ainda trazia um buraco no peito indescritível.
O meu sol tinha se apagado. E passei anos, sorrindo, mas ali dentro havia um enorme vazio...
Nada como o tempo... 

Voltando a agenda da Company... 

Eu gargalhei quando li o que esperava de mim em 2013:

1) Saltar de asa delta.
2)  Ter 3 filhos
3) Conhecer o Havaih
4) Aprender a surfar e ser fotógrafa de surf para viajar junto dos gatos! hahahaha
5) Ser rica , e viajar o mundo 

Tive 100% de fracasso. Não cumpri nenhuma das alternativas. Assinei o atestado de incompetência perante aquela adolescente 'cú de fogo' disposta a ganhar o mundo!
E me deu orgulho. Fiquei orgulhosa da decepção! Ri emocionada de minha invalidez estratégica!!!
Foi um sinal de saúde. Quem cumpre objetivos por anos é neurótica!
É bobagem elaborar metas para atingir em determinada idade. 

Felicidade não se planeja, felicidade se descobre!

Ingenuidade congelar lista de intenções como se a vida não nos transformasse dia a dia.
Ufa! Graças a Deus!
Nosso legado é o que falamos aos outros, não o que aparentamos ser. Todos os desejos terminam, no fundo, iguais porque não temos a coragem da simplicidade.
Amigos não admitem morrer sem visitar as Pirâmides, por exemplo.( Eu não morro sem conhecer isso ou aquilo, rs). Eu não quero morrer sem visitar meu pai onde estiver ou minha mãe, meu irmão.
Ainda que eu tivesse apenas uma semana de vida não mudaria meu temperamento. 

Felicidade é improvisar, é estar disposto não sabendo o que vai acontecer. 
Ah adoro isso!!!!!!

Não troco em nada o inventário do que realizei nestas quatro décadas.

(X) sem filhos por opção; 3 sobrinhas + 2 enteadas
(X) Casada ( aliás 2 vezes , muito bem casada!)
(X) Descoberta da profissão que amo + viajando muito com música !
(X) jornalista, arranha francês, arranha o inglês
(X) Uma casa linda + a Baduh minha cadela que amo, que mudou a minha vida!

Não é mais verdadeiro?























Karina.

30 de janeiro de 2013


A PAIXÃO ACONTECE

Arte de Marc Chagall

Se você recusou sua rotina, deixou de fazer aquilo que mais gostava em nome de alguém, torrou seus bens, abandonou os amigos e os prazeres mais fundamentais, isso não é amor, é paixão.

A paixão é uma fatalidade, o amor é uma escolha.

A paixão é egoísta, o amor é generoso.

A paixão é renúncia, o amor é recomeço.

A paixão arrebenta, o amor adapta.

A paixão é confinamento, o amor é abrigo.

Não há paixão pequena, paixão simbólica, paixão discreta: é grandiosa no início e escandalosa no final.

Não recomendo, muito menos desaconselho: é experiência para os fortes.

Nada do que viveu antes terá sentido, nada do que possa viver depois terá sentido. Conjugará interminavelmente o presente do indicativo.

Atingirá um extremo emocional perigoso: você passa a ser do outro em tempo integral. Conhecerá sua pior crise de nervos, seu mais fundo estresse emocional, seu mais absurdo esgotamento da memória, sua mais humilhante falência financeira.

Uma vez apaixonado, você rejuvenesce 10 anos em 10 horas. Mas, uma vez desapaixonado, você envelhece 10 anos em 10 horas.

A paixão ou é imensa, ou não é. Ela não pede desculpa, não negocia: equivale a uma dependência química em seu estado mais selvagem.

É o equivalente ao sequestro de uma vida. A própria vida. Você é o sequestrador e o refém ao mesmo tempo.

Não há desconto, adiamentos, pechincha. A paixão exige pagamento à vista, execução sumária.

Nunca vi nenhum apaixonado transferir compromisso para o dia seguinte, ele somente antecipa.

Não é que a paixão seja rápida, é devastadora, não sobra coisa alguma para continuar.

O apaixonado não abre negócios, mas fecha portas. Não areja a cabeça, não tem grandes ideias, não combate preconceitos, emburrece progressivamente, a ponto de só ter um número para ligar e um lugar para ir.

Ele não tem sangue-frio, não raciocina, não elabora planos, não arruma álibis.

A paixão é um crime malfeito, facilmente descoberto.

Os envolvidos desprezam o mundo, não se importam se estão sendo vistos, se beijam em público, se são casados, noivos ou recém-viúvos, se serão criticados pelos vizinhos e familiares.

O apaixonado joga tudo para o alto e não fica para segurar nada.

Ele não tem discernimento, não lê jornal, perde sua capacidade de decidir sobre a trajetória.  Apresenta a superstição de um velho, a intuição de uma criança.

É um idiota sábio. Idiota porque não se defende da tristeza, sábio porque não se protege da alegria.

Não existe mais bom e ruim, certo e errado, esquerda e direita. Não tem sentido julgar. Não tem como se orgulhar do que foi realizado, muito menos se arrepender.

Você muda de personalidade, larga trabalho, descuida da família para se dedicar inteiramente a não pensar e somente sentir.

Não podemos nem dizer se a paixão ajuda ou atrapalha, ela acontece. É uma sorte azarada.



Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 29/1/2013
Porto Alegre (RS), Edição N° 17327

28 de janeiro de 2013

Aos nossos queridos de Santa Maria...

Toda essa tragédia de Santa Maria , tudo isso muito triste que aconteceu me fez lembrar um texto de Martha Medeiros:

"Morrer é ridículo"

Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer. A troco? Você passou mais de dez anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não companha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.



27 de dezembro de 2012

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade



Para você ganhar belíssimo Ano Novo 

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.


29 de outubro de 2012

Aracajú - pelas lentes do Iphone.

Algumas fotinhas legais pelo celular! É bom num fim de semana poder pegar uma praia no Nordeste , conhecer novos amigos, comidinhas da terra, dar um presentinho pra alma!
Beijos!
Kari
foto i-phone : Mostra 100 anos Jorge Amado @ Decor !
Nosso Rei do Baião, vi a estréia no cinema, corram, é lindo demais!
 
Oceanário Projeto Tamar, lindo!

Mostra 100 anos Jorge Amado @ Decor.
Presentinhos para nossas clientes no Veronezi Stúdio-Espaço Icaraí.
No céu, no céu ...
Tentei pegar uma raia, mas ela fugiu! 
 Nordeste com alguns desses baldes, não prestou ,rs!

Praia de Atalaia, curtindo a nigth !

Ló, uma querida! 
Cariri, a melhor casa de forró de Aracajú, me esbaldei, rs!
Salve nosso querido Jorge Amado !

15 de outubro de 2012

Arte de Cuidar por Ana Castilhos: Código de Ética "Universal"


           Via Anjo Pássaro 

Conselho Indígena Inter-Tribal Norte Americano, do qual participam 11 tribos Norte-Americanas aprovaram seu código de ética, que deveria valer para todos os seres humanos viverem aqui na Terra:
1. Levante com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com freqüência. O Grande Espírito o escutará, se você, ao menos, tentar falar.
2. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, a inveja, o ciúme e a avareza, originam-se de uma alma perdida. Ore para que encontrem o caminho do Grande Espírito.
3. Procure conhecer-se, por si próprio. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.
4. Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.
5. Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura. Se não foi obtido por esforço próprio nem foi dado, não é seu.
6. Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.
7. Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas.Nunca interrompa os outros nem ridicularize-os, nem rudemente os imite. Permita a cada pessoa o direito da livre expressão pessoal.
8. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você colocar para fora no universo, voltará multiplicada a você.
9. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.
10. Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o otimismo.
11. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família Terrena.
12. As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida. Quando forem crescidos, de-lhes espaço para que cresçam.
13. Evite machucar o coração das pessoas. O veneno da dor causada a outros, retornará a você.
14. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo.
15. Mantenha-se equilibrado. Seu Mental, seu Espiritual, seu Emocional, e seu Físico, todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis. Trabalhe o seu Físico para fortalecer o seu Mental. Enriqueça o seu Espiritual para curar o seu Emocional.
16. Tome decisões conscientes de como você será e como reagirá. Seja responsável por suas próprias ações.
17. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros.Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, especialmente objetos religiosos e sagrados. Isto é proibido.
18. Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros.
19. Respeite outras crenças religiosas. Não force suas crenças sobre os outros.
20.Compartilhe sua boa fortuna com os outros. Participe com caridade.

28 de agosto de 2012


“…Na ausência de planos coletivos, as pessoas parecem estar investindo na auto-compreensão. Não é só a maquiagem caprichada e os sapatos caros. Tem ioga, tem análise, tem leituras, tem os planos de viagem e os cursos. As garotas Sputnik estão apostando em entender elas mesmas e o que podem fazer com suas vidas. Por incrível que pareça, por maior que seja a barulheira, é um momento de intimidade e reflexão. No meio da dança, enquanto todo mundo salta e grita, em cada uma das cabecinhas bem penteadas há uma consciência inquieta que se pergunta o que fazer, como fazer, com quem fazer. O mundo não tem respostas fáceis para isso. Nunca teve. Mas eu olho para as garotas Sputnik, e para os caras que parecem felizes ao lado delas, e tenho a impressão de que as coisas darão certo. Com elegância, muita praticidade e o desejo de fazer as coisas do jeito delas, essas garotas podem mais do que apenas celebrar a juventude em grande estilo. É possível que elas ajudem a alterar o mundo ao redor delas. Não como as gerações passadas tentaram fazer, ocupando as ruas e subvertendo as regras. Mas pela perseguição de um projeto pessoal. Ocupando os espaços já abertos de uma maneira menos previsível, menos obediente, mais criativa. Reinventando.”







Simples assim !



“Vou inventar avós que nunca morrem, e cachorros também. Eu vou inventar uma verdade sem problemas e um caminho doce pra poder voltar e catar todos os caramelos que tiraram de mim. E mesmo que tudo dê errado, mesmo assim, não tem problema. Eu deito no telhado de casa , olho pro céu e invento uma nuvem que chove sorrisos, ternuras, bem em cima de mim.”



Ela pediu comida, e eu pedi uma foto! 
'A Gente não quer só comida; a gente quer  comida, diversão e arte!'


Baduh - 10 anos.

Itaperuna 

15 de agosto de 2012

Acredito nas Pessoas Livres!




“Quer saber o que eu penso?
 Você aguentaria conhecer minha verdade? 
Pois tome. Prove. Sinta. Eu tenho preguiça de quem não comete erros. Tenho profundo sono de quem prefere o morno. Eu gosto do risco. Dos que arriscam. Tenho admiração nata por quem segue o coração. Eu acredito nas pessoas livres. Liberdade de ser. Coragem boa de se mostrar. Dar a cara a tapa! Ser louca, estranha, chata! Eu sou assim. Tenho um milhão de defeitos. Sou volúvel. Sou viciada em gente. Adoro ficar sozinha. Mas eu vivo para sentir. Por isso, eu te peço. Me provoque. Me beije a boca. Me desafie. Me tire do sério. Me tire do tédio. Vire meu mundo do avesso! Mas, pelo amor de Deus, me faça sentir… Um beliscãozinho que for, me dê. Eu quero rir até a barriga doer. Chorar e ficar com cara de sapo. Este é o meu alimento: palavras para uma alma com fome.


 “ Clarice Lispector"

16 de julho de 2012

Surpresas Dadivosas!!!








Abençoadas sejam as surpresas risonhas do caminho. As belezas que se mostram sem fazer suspense. As afeições compartilhadas sem esforço. As vezes em que a vida nos tira pra dançar sem nos dar tempo de recusar o convite. As maravilhas todas da natureza, sempre surpreendentes, à espera da nossa entrega apreciativa. A compreensão que floresce, clara e mansa, quando os olhos que veem são da bondade. Abençoados sejam os presentes fáceis de serem abertos. Os encantos que desnudam o erotismo da alma. Os momentos felizes que passam longe das catracas da expectativa. Os improvisos bons que desmancham o penteado arrumadinho dos roteiros da gente. Os diálogos que acontecem no idioma pátrio do coração. Abençoada seja a leveza, meu Deus.

Abençoadas sejam as dádivas generosas que vêm nos lembrar que viver pode ser mais fácil. Que amar e ser amado pode ser mais fluido. Que dá pra girar o dial. Que dá pra sair da frequência da escassez e sintonizar a estação da disponibilidade, onde alegrias já cantam, mas a gente não ouve. Abençoadas sejam as dádivas que vêm nos lembrar, com alívio, que há lugares de descanso para os nossos cansaços. Que há lugares de afrouxamento para os nossos apertos. Que dá pra mudar o foco. Que não é tão complicado assim saborear a graça possível que mora em cada instante.

Abençoadas sejam as dádivas generosas que nos surpreendem. Elas não sabem o quanto às vezes, tantas vezes, nos salvam de nós mesmos.

Beijos,

2 de julho de 2012

Coragem ...





“A pior coisa do mundo é a pessoa não ter coragem na vida”. Pincei essa frase do relato de uma moça nascida no Ceará e que passou (e vem passando) poucas e boas: a morte da mãe quando tinha dois anos, uma madrasta cruel, uma gravidez prematura, a perda do único homem que amou, uma vida sem porto fixo, sem emprego fixo, mas sonhos diversos, que lhe servem de sustentação. Ela segue em frente porque tem o combustível que necessitamos para trilhar o longo caminho desde o nascimento até a morte. Coragem.

Quando eu era pequena, achava que coragem era o sentimento que designava o ímpeto de fazer coisas perigosas, e por perigoso eu entendia, por exemplo, andar de tobogã, aquela rampa alta e ondulada em que a gente descia sentada sobre um saco de algodão ou coisa parecida. Por volta dos nove anos, decidi descer o tobogã, mas na hora H, estando já lá em cima, amarelei. Faltou coragem. Assim como faltou também no dia em que meus pais resolveram ir até a Ilha dos Lobos, em Torres (RS), num barco de pescador. No momento de subir no barco, desisti. Foram meu pai, minha mãe, meu irmão, e eu retornei sozinha, caminhando pela praia, até a casa da vó.

Muita coragem me faltou na infância: até para colar durante as provas eu ficava nervosa. Mentir para pai e mãe, nem pensar. Ir de bicicleta até ruas muito distantes de casa, não me atrevia. Travada desse jeito, desconfiava que meu futuro seria bem diferente do das minhas amigas audaciosas.

Até que cresci e segui medrosa para andar de helicóptero, escalar vulcões, descer corredeiras d’água. No entanto, aos poucos fui descobrindo que mais importante do que ter coragem para aventuras de fim de semana, era ter coragem para aventuras mais definitivas, como a de mudar o rumo da minha vida se preciso fosse.

Enfrentar helicópteros, vulcões, corredeiras e tobogãs exige apenas que tenhamos um bom relacionamento com a adrenalina. Coragem, mesmo, é preciso para viajar sozinha, terminar um casamento, trocar de profissão, abandonar um país que não atende nossos anseios, dizer não para propostas lucrativas porém vampirescas, optar por um caminho diferente, confiar mais na intuição do que em estatísticas, arriscar-se a decepções para conhecer o que existe do outro lado da vida convencional. E, principalmente, coragem para enfrentar a própria solidão e descobrir o quanto ela fortalece o ser humano.

Não subi no barco quando criança – e não gosto de barcos até hoje. Vi minha família sair em expedição pelo mar e voltei sozinha pela praia, uma criança ainda, caminhando em meio ao povo, acreditando que era medrosa. Mas o que parecia medo era a coragem me dando as boas-vindas, me acompanhando naquele recuo solitário, quando aprendi que toda escolha requer ousadia.

Vamos em frente!!!



Martha Medeiros




Beijos da Kari